13 maio, 2010

Bullying, um fenómeno de sempre mas não para sempre

O bullying, termo inglês utilizado para descrever actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, é um comportamento caracterizado pela ameaça ou agressão.

É um comportamento que abrange todas as formas de atitude agressivas que ocorrem intencional e repetidamente que são resultado da uma falta de motivação evidente. É um comportamento praticado por um indivíduo ou grupo de indivíduos tendo por base o objectivo de intimidar ou agredir outro indivíduo ou grupo de indivíduos. É perpetrado por crianças ou jovens que, aparentemente, têm mais força, poder ou influência do que a vítima.

Há muito que antropólogos, sociólogos, psicólogos estudam alguns factores que tentam explicar o comportamento humano incluindo factores genéticos e hereditários e até aspectos ambientais que provocam determinadas acções e reacções num indivíduo. Com isto, tenta-se explicar que há factores de base genética, bem como outros de base ambiental, que se diz explicar a propensão para a violência de um determinado indivíduo prevendo, desta forma, se existe uma maior probabilidade deste se vir a tornar em alguém violento ou até mesmo um criminoso. Sobre isto é preciso dizer que a grande maioria da comunidade científica concorda com uma interacção entre tendências genéticas e influências ambientais e que esta interacção controla o comportamento humano.

Apesar de, ser actualmente, detectado em quase todos os países do mundo, o estudo do bullying foi iniciado por Dan Olweus, psicólogo norueguês, nos anos 70 em Inglaterra, onde este vivia.

Com o intuito de explicar alguns tipos de violência, alguns cientistas têm sido levados a olhar também para fora do indivíduo, para o ambiente que o rodeia, ou seja, as cidades.

Tendo por base o conceito cidade, é infinita a lista de factores que podem estar ligados à questão da violência. Ainda assim, mesmo com todas as influências negativas que podem influenciar o comportamento do indivíduo, há sempre uma excepção e há muitos indivíduos que nunca se chegam a tornar violentos e agressivos.

Então, nas palavras de um neuropsiquiatra da Universidade de Massachussets (EUA) que dá pelo nome de Craig Ferris percebe-se a ironia da incerteza apesar do consenso da comunidade científica:

“O comportamento é 100% hereditário e 100% ambiental.”

À vista desarmada, pode parecer uma simples brincadeira entre crianças que se insultam verbalmente ou chegam mesmo a agredir-se fisicamente, mas a verdade é que não deve ser encarado desta forma. A criança escolhida como alvo da agressão (seja ela física, verbal ou psicológica) pode mesmo chegar a entrar em depressão em consequência das agressões que podem mesmo tomar a proporção da moral. Neste ponto, encerra aqui a questão da sociedade como agente activo e protector neste fenómeno que, segundo os estudos, sempre existiu mas que tomou este nome há pouco tempo.

Para identificar um bully, dever-se-á relevar os seguintes aspectos: a sua empatia, que, no caso de serem perpetradores de agressões, será muito baixa; por norma, pertencem a famílias cujo sistema é desestruturado e nas quais há uma inexistência de relacionamentos afectivos entre os membros; pretendem obter força, poder, domínio e fama – no caso, na escola – ameaçando os outros.

Há sugestões que indicam que os comportamentos agressivos têm a sua origem na infância e que os que praticam bullying têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais e/ou violentos, podendo mesmo tornar-se criminosos.

Ainda assim, é preciso fazer valer que o bullying não envolve necessariamente criminalidade ou violência.

O bullying divide-se em duas categorias:

• Bullying directo – forma mais comum entre os agressores masculinos;
• Bullying indirecto – conhecido como agressão social e a forma mais comum de bullies do sexo feminino e crianças pequenas, caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social.

Tendo em conta as categorias, seguidamente enumeram-se os 5 tipos de actores co-implicados no bullying:

1. Agressor – que, como já foi apontado anteriormente, pretende obter força, poder e domínio;
2. Vítima;
3. Defenders – alunos que defendem as vítimas e actuam contra o bullying;
4. Bystanders – alunos que presenciam a situação e reforçam positivamente a acção do agressor;
5. Outsiders – alunos que não se manifestam nem de forma positiva nem de forma negativa.

Para se compreender a importância deste fenómeno é preciso saber que, quando praticado de forma persistente pode ter um ou vários efeitos no sujeito e/ou no ambiente onde ocorre. E quando o mesmo se descura, o ambiente escolar torna-se problemático afectando de forma negativa, sem excepção, todos os intervenientes no espaço escolar minando-o com sentimentos de ansiedade e medo que facilmente poderão vir a desencadear outros sentimentos ainda mais graves para a sociedade, como o abandono escolar, doenças psicossociais.

Assim, para a eliminação da violência na escola, devem ser criadas e tomadas as medidas necessárias por quem de valor e superior. As medidas passarão por se estar mais atento a qualquer situação suspeita e de abuso de criança ou grupos de crianças em torno da vítima/ vítimas, o que não exclui quem mesmo não participando activamente no bullying incentiva e acaba por isolar voluntariamente a vítima/as vítimas, seja de que forma for.

A ciência tem feito a sua parte, a família e quem educa devem admitir o fenómeno e encará-lo de maneira cuidadosa e atenta, principalmente, quando se está dentro do ambiente em que este toma lugar de forma mais directa.

É, de facto, um fenómeno que poderá ser evitado e terminado de forma absoluta quero crer, se os pais e os professores estiverem atentos.

Maria Rocha

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